Quando assisti Piratas do Caribe no Fim do Mundo pela primeira vez, fiquei sedento em saber mais sobre deuses (por causa da Deusa Calypso, claro), e por conta disso peguei na biblioteca da escola um livro intitulado “As 100 melhores histórias da Mitologia Grega”. Obviamente, eu nunca consegui chegar ao fim do livro em nenhuma das três vezes que tentei. Mas não foi por causa do tamanho (já li livros bem maiores), mas sim por causa da desordem que era. Afinal, nele a história de “Prometeu e o Fogo Sagrado” vinha a mais de dez histórias após “A Caixa de Pandora”, sua sucessora; e já na metade do livro eu já não sabia mais diferenciar A Guerra de Tróia de A Guerra dos Titãs, se Afrodite era filha de Zeus ou irmã do bisavô dele, o Caos.
Mas se você não entende nada de Mitologia Grega, não se preocupe, pois o primeiro parágrafo foi apenas um parêntese inicial. Afinal, um dos contos do livro que mais me chamou a atenção (e também é um de meus favoritos) é o de “Eco e Narciso”, cujo a história eu vou tentar resumir aqui.
Zeus era o Deus Supremo (já vou avisando que esta é uma designação errônea), por assim dizer, e era casado com a corna e ciumenta Juno. Zeus vivia traindo Juno a cada dia com uma ninfa diferente, e em um dos casos, a tal ninfa pediu para sua amiga Eco ficar de vigia, e quando Juno apareceu (aliás, o nome da deusa inspirou o nome da personagem principal do filme homônimo, Juno), enfeitiçou Eco de modo que esta só pudesse repetir as últimas palavras que ouvisse. Eco acabou por apaixonar-se por um rapaz chamado Narciso, que vagava pela floresta, e este, por não entender direito o que a ninfa queria dizer, rejeitou-a. Eco se escondeu numa caverna e definhou, se tornando parte dela e sempre repetindo tudo o que chegava a seus ouvidos. Já Narciso, tinha nascido com uma maldição de que nunca poderia ver seu próprio reflexo e, ao mirar-se pela primeira vez num lago, apaixonou-se por si mesmo e nunca mais saiu daquele lugar, chegando a definhar e se tornar uma flor – uma flor narcisista, que está sempre a se admirar às margens de algum lago. Fim.
Para ser franco, eu só descobri o que era “narcisismo” depois de conhecer este conto, e eu duvido que você sabia que a palavra se originou desta mesmíssima história que eu acabei de contar – ou pelo menos foi isto que me disseram.Mas como você deve estar sabendo, o narcisismo é a “paixão por si próprio”, mas, se for procurar no dicionário, vai encontrar apenas “qualidade de narciso”, que, por sua vez, significaria “homem muito vaidoso”. E está aí mais uma prova do quanto as palavras se contradizem, afinal, segundo o dicionário, “vaidade” seria, de certa forma, “ilusão”, embora o correto (ou pelo menos o mais conhecido) seja “vício na própria aparência”. Nesta viagem gramatical, vou dar ênfase a uma parte disto tudo de insignificância crucial: afinal, se vaidade é ilusão, qualquer pessoa que se preocupa demais com a aparência está se iludindo ao pensar que está linda, sendo, conseqüentemente, feia (?).
Mas não se preocupem, afinal, acho que a “ilusão da vaidade” dos dicionários está mais no fato das pessoas passarem horas usando pentes, escovas, potes de gel, pomadas, corretores de espinhas, cremes e etc. para, no final, se gabarem de uma beleza que não é delas de verdade. e está aí mais um motivo de eu preferir ser narcisista a vaidoso: afinal, o narcisista ama a própria aparência, seja ela natural ou não.
E antes que eu já consiga arrumar briga com este post, já vou avisando que não tenho nada contra pessoas vaidosas – embora eu não seja uma delas –, assim como também não tenho nada contra dicionários (xD), apesar de todas as crises. Afinal, são eles que me salvam de inúmeros apuros na hora de escrever – e me botam em outros quando estou na dúvida em relação a alguma palavra e me façam perder horas às vezes para achar um sinônimo que faça sentido.

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